Como a Rotina Caseira Solitária Afeta o Profissional
Acordei hoje com o som constante das buzinas aqui na avenida de trás do Açude. O ventilador de teto rangendo sem parar, o café já frio dentro da minha caneca lascada de cerâmica. Sentei na cadeira de plástico branco que uso na minha mesa de madeira improvisada. É exatamente neste metro quadrado que eu passo dez horas por dia encarando uma tela. As empresas tentam nos convencer, com sorrisos em reuniões por vídeo, de que a nossa casa virou um paraíso de conforto, na época da minha vó Neura, que Deus a tenha, era sim, mas hoje tudo mudou. Mentira. Eles apenas empurraram o custo da energia elétrica e da internet para o nosso bolso. Quando olho para o monitor empoeirado, percebo que O Futuro do Trabalho Remoto não tem nada a ver com liberdade de escolha. Tem a ver com controle invisível. O silêncio que esconde a coleira Mês passado, a gerência exigiu que a câmera de todos ficasse ligada durante toda a tarde de sexta-feira. Eu estava de bermuda desbotada, descalço no piso frio, com o meu ga...