18 Estratégias sobre passa no Enem que aceleram seu progresso em 100%
Mito da Foto Sorridente Ilusão
Nunca acreditei muito nessa história de meritocracia que os cursinhos vendem nos outdoors. Você vê aquela foto do sujeito sorrindo, segurando uma apostila que custa o preço de um rim, e pensa que o sucesso é uma linha reta. Não é. Eu sou o Beto, tenho 24 anos, larguei Engenharia no quarto semestre porque não aguentava mais olhar para números sem alma e agora estou aqui, tentando uma vaga em História numa federal, escrevendo este texto às 3 da manhã à base de café solúvel barato e ouvindo o primeiro álbum dos Strokes no repeat.
A verdade nua e crua é que o "Novo Enem" virou um monstro. Desde a bagunça do ano passado, com prova roubada e o escambau, a coisa mudou de figura. Não é mais sobre quem decorou a tabela periódica, é sobre quem tem estômago. Eu listei mentalmente umas 18 coisas que fiz diferente dessa vez, mas como odeio listas numeradas que parecem capa de revista teen, vou jogar tudo aqui do meu jeito. Se você quiser organização, compre um planner.
O primeiro ponto é entender que o exame é uma maratona física. Eu vi gente genial, o tipo de pessoa que cita Foucault no bar, desmoronar na terceira hora de prova porque as costas doíam ou porque a fome bateu. O corpo cobra. Levei chocolate amargo, não essas porcarias cheias de açúcar que te dão um pico de energia e depois te jogam no buraco da sonolência. Água também. Muita gente esquece de beber água e o cérebro vira uma uva passa seca no meio da prova de Linguagens.
Lógica do Algoritmo Chato Punição
E tem o tal do TRI. Teoria de Resposta ao Item. O MEC adora nomes pomposos. Basicamente, o sistema quer saber se você é coerente ou se está chutando. O tal do "chute consciente" virou lenda urbana. Se você acerta a questão impossível de logaritmo mas erra a soma de 2+2 na página anterior, o algoritmo te pune. Ele acha que você é uma fraude. Então, a estratégia de ouro, a que realmente define quem passa no Enem, é a humildade. Garanta as fáceis. Varra a prova procurando o que você sabe. Deixe o orgulho de lado e pule aquela questão de Física que ocupa meia página e fala sobre circuitos elétricos em Marte. Ninguém liga se você resolveu a mais difícil se sua nota final for medíocre.
Lembro do Ricardo, um cara que estudava comigo no ensino médio. O sujeito era uma máquina, sabia tudo de Revolução Francesa, decorava datas, nomes de generais. Chegou na prova, quis fazer na ordem, questão 1, questão 2, questão 3. Travou na 15. Ficou quarenta minutos tentando resolver um problema de estequiometria. O resultado? Teve que chutar as últimas trinta questões porque o fiscal avisou que faltavam cinco minutos. Ricardo não entrou. Eu, que estudei metade do tempo dele mas tive a malandragem de pular as pedreiras, entrei.
A redação é outro bicho. Pare de tentar ser o Machado de Assis. O corretor tem três minutos para ler seu texto. Ele quer estrutura, não poesia. Introdução com tese, dois parágrafos de desenvolvimento e aquela proposta de intervenção que sempre envolve "o governo deve promover campanhas". É chato? É. Funciona? Demais. Escrevi sobre o meio ambiente fingindo que me importava profundamente com a reciclagem de pneus, usei conectivos bonitinhos e tirei 920. O jogo é esse. Você entrega o que eles querem ler.
Tem uma coisa que ninguém te conta sobre o ambiente de prova. É hostil. A cadeira é dura, o ar condicionado (quando tem) congela seu braço direito ou então a sala é um forno que cheira a suor e ansiedade. Eu treino em casa com barulho. Ligo a TV, deixo o cachorro latir. Se você estuda num silêncio monástico, qualquer barulho de caneta caindo no dia da prova vai te desconcentrar. Crie calos mentais.
Outra coisa: pare de se comparar com a galera do Orkut que diz que estuda 16 horas por dia. Mentira. Ninguém aprende nada depois da décima hora sentado. O cérebro desliga. Eu estudava quatro horas bem feitas, focado, sem MSN aberto piscando na tela. Qualidade ganha de quantidade. E tem o lance de não brigar com a prova. Se o texto de apoio diz que o céu é verde, para a prova, o céu é verde. Não traga seu conhecimento de mundo se ele contradiz o comando da questão. Interpretação de texto é 90% da prova, até em Matemática.
Teve um momento no domingo passado, no meio da prova de Matemática, que eu olhei em volta. Vi o desespero nos olhos da menina da frente. Ela estava chorando silenciosamente. Aquilo me deu um estalo. O medo paralisa mais que a ignorância. Eu respirei fundo, fechei os olhos por dez segundos. Parece pouco, mas resetou meu sistema. A ansiedade é um gás que ocupa todo o espaço disponível se você deixar.
Sobre materiais: esqueça apostilas de 1998 que seu primo te deu. O Enem mudou. Pegue as provas anteriores, de 2009 para cá. Refaça. Entenda o padrão. As questões se repetem, só mudam os personagens. A questão de escala cartográfica vai cair. A questão de funções da linguagem vai cair. É carta marcada. O segredo de quem passa no Enem muitas vezes é apenas reconhecimento de padrão, não inteligência bruta.
Doutrina da Interpretação Literal Lei
E por favor, no dia anterior, não tente aprender o que você não aprendeu em um ano. Eu fui ao cinema ver um filme ruim, comi uma pizza gordurosa e dormi oito horas. Seu cérebro precisa assentar a poeira. O Ricardo, aquele meu amigo, passou a noite de sábado revisando fórmulas de Química Orgânica. Chegou na prova parecendo um zumbi. Errou coisa que sabia.
Não espere justiça da banca. Às vezes uma questão é mal formulada mesmo e anulam depois, ou não. Não perca tempo brigando mentalmente com quem fez a questão. Marque a menos absurda e siga. O relógio é seu maior inimigo, mais que o conteúdo. Cada questão tem três minutos. Passou disso? Marca um X grande do lado e volta depois se der. Desapego é uma virtude acadêmica.
No fim das contas, ver seu nome na lista de aprovados não vai te transformar num ser humano melhor, mas vai tirar esse peso das costas. A faculdade pública tem seus problemas, falta papel higiênico no banheiro e às vezes tem greve de três meses, mas o ambiente, as discussões, a gente estranha que você conhece... isso vale a pena.
Se você está lendo isso em vez de estudar, volta pros livros. Mas volta com malícia. Não seja o Ricardo. Seja o cara que entende as regras do jogo e joga para ganhar, mesmo que o juiz seja cego e o campo esteja esburacado a tarde cai devagar lá fora. Boa sorte, ou melhor, bom preparo. A sorte é para quem não leu o edital.
Gostou? Comenta aí embaixo qual curso você quer. E se alguém souber onde baixo discografia completa do Radiohead sem vírus, me avisa.
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