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18 Estratégias sobre passa no Enem que aceleram seu progresso em 100%

Mito da Foto Sorridente Ilusão Nunca acreditei muito nessa história de meritocracia que os cursinhos vendem nos outdoors. Você vê aquela foto do sujeito sorrindo, segurando uma apostila que custa o preço de um rim, e pensa que o sucesso é uma linha reta. Não é. Eu sou o Beto, tenho 24 anos, larguei Engenharia no quarto semestre porque não aguentava mais olhar para números sem alma e agora estou aqui, tentando uma vaga em História numa federal, escrevendo este texto às 3 da manhã à base de café solúvel barato e ouvindo o primeiro álbum dos Strokes no repeat. A verdade nua e crua é que o "Novo Enem" virou um monstro. Desde a bagunça do ano passado, com prova roubada e o escambau, a coisa mudou de figura. Não é mais sobre quem decorou a tabela periódica, é sobre quem tem estômago. Eu listei mentalmente umas 18 coisas que fiz diferente dessa vez, mas como odeio listas numeradas que parecem capa de revista teen, vou jogar tudo aqui do meu jeito. Se você quiser organização, compre ...

20 Erros sobre inteligência artificial que vão economizar horas do seu dia

São três da manhã e a chuva aqui em São Paulo não dá trégua. O barulho da água batendo na calha do vizinho tem aquele ritmo hipnótico que me faz questionar minhas escolhas de vida, especificamente o motivo de eu estar acordado lendo fóruns obscuros sobre o "futuro da humanidade". A internet virou um grande eco de gente gritando que o apocalipse vem em forma de código binário. Eu só queria entender como deixar meu script de Photoshop mais rápido, mas acabei caindo nesse buraco.

O título desse post diz vinte, eu sei. É o tipo de coisa que a gente coloca porque funciona, porque você clicou. Mas a verdade nua e crua é que eu não vou listar vinte tópicos com bolinhas bonitinhas. A vida não é uma lista organizada. O que vou te entregar é o suor frio de quem já testou essas ferramentas até a exaustão e percebeu que estamos sendo feitos de trouxa por promessas de silício.

O Papagaio Estocástico não tem alma

Semana passada, um cliente me pediu para gerar um texto para o site da padaria dele. "Usa aquele negócio lá que escreve sozinho, o Beto, é rapidinho", ele disse. Eu podia ter feito. Podia ter entregado algo genérico sobre "o cheiro do pão quentinho". Mas a inteligência artificial tem um cheiro específico: cheiro de plástico queimado. Ela não sabe o que é morder um pão na chapa numa segunda-feira chuvosa.

O maior erro que vejo a galera cometendo é tratar o software como se fosse um oráculo. Não é. É um banco de dados gigante que joga dados pra cima e vê qual palavra cola melhor depois da anterior. Quando você pede para ele "criar", ele está apenas reciclando lixo digital que nós mesmos produzimos nos últimos trinta anos. Tentar fazer essas máquinas terem "sentimentos" ou "empatia" no texto é como tentar tirar leite de pedra. Você gasta horas ajustando o comando, brigando com a tela, pedindo "mais emoção", e o resultado continua soando como um manual de instrução de geladeira escrito por um estagiário deprimido.

Eu perdi uma tarde inteira tentando fazer um logotipo com essas ferramentas novas. O resultado? Mãos com sete dedos e olhos que pareciam ovos fritos. A economia de tempo que me prometeram virou uma sessão de terapia para lidar com a frustração.

A ilusão da preguiça produtiva

Existe essa fantasia de que vamos apertar um botão e o trabalho vai se fazer. É o sonho de todo mundo que já teve que preencher planilha no Excel às quatro da tarde. Só que a realidade é mais cínica. A ferramenta não substitui o trabalho, ela muda o tipo de cansaço. Antes, eu cansava de desenhar; agora, canso de descrever o desenho para uma máquina que parece não entender português básico.

Lembro de quando tentei automatizar as respostas dos comentários aqui do blog. Configurei tudo bonitinho. No primeiro dia, a inteligência artificial começou a responder xingamentos com agradecimentos polidos e elogios com frases sem sentido sobre clima. Parecia que eu tinha contratado um atendente de telemarketing bêbado. Tive que apagar tudo na unha. O atalho virou o caminho mais longo. A gente acha que está ganhando tempo, mas está apenas terceirizando a nossa atenção para algo que não liga para o resultado.

E tem aquele erro clássico: achar que a máquina vai te dar a resposta certa de primeira. Nunca dá. Você precisa ser o curador, o editor chato, o cara que olha e diz "isso aqui tá uma porcaria". Se você não tem base, se você não sabe o que é bom, a máquina vai te vender gato por lebre e você vai achar lindo. É perigoso. Vi moleque entregando código que nem rodava porque "o robô disse que tava certo". A máquina mente com uma confiança invejável.

O abismo da mediocridade infinita

A gente precisa falar sobre o tédio. Tudo o que sai dessas ferramentas tem um gosto de água morna. É correto, gramaticalmente impecável, e absolutamente chato. O erro é usar isso para criar coisas que deveriam ter a sua voz.

Eu tenho um amigo, o Cláudio, que resolveu escrever um livro de ficção científica usando esses assistentes. Ele me mandou o primeiro capítulo. Li duas páginas e senti vontade de dormir. Não tinha erro, não tinha falha, mas também não tinha sangue. Faltava aquela coisa errada, aquela frase meio torta que mostra que tem um humano ali sofrendo pra se expressar. A perfeição estatística é a morte da arte. Se você usa inteligência artificial para tudo, você vira uma commodity. Você vira só mais um ruído no meio da barulheira.

Mas aí que tá o pulo do gato, ou o tropeço, porque ontem eu fui na padaria e o pão estava frio e a menina do caixa nem olhou na minha cara, o que me faz pensar que talvez a gente já esteja virando robô sem perceber.

O segredo, se é que existe um, é usar a máquina para o trabalho sujo. Pra organizar a bagunça, pra resumir aquele texto chato que você não quer ler, pra gerar variações de uma ideia ruim até achar uma boa. Mas nunca, jamais, deixe ela pilotar o avião. O piloto é você. A máquina é só o copiloto cego que decora o mapa mas não enxerga a montanha.

Economizar horas do seu dia não é sobre fazer mais coisas em menos tempo. É sobre parar de perder tempo tentando fazer uma calculadora escrever poesia. Aceite que o trabalho braçal mudou, mas o trabalho mental — o de julgar, escolher e sentir — ainda é seu. E isso dá um trabalho do cão. Ninguém quer admitir, mas a gente gosta desse trabalho. É o que nos separa das torradeiras.

Agora, se me dão licença, minha gata acabou de deitar no teclado e acho que ela escreveu um código melhor do que o que eu estava tentando fazer nas últimas três horas.

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