12 Perigos sobre beber refrigerantes depois dos 40 que os especialistas escondem de você
São três da manhã e o ventilador de teto do meu quarto está fazendo aquele barulho rítmico que geralmente me ajuda a pensar, mas hoje só está me irritando. Estava aqui limpando uns LPs do Miles Davis que chegaram num lote mofado e me peguei olhando para uma garrafa vazia de vidro em cima da mesa. Aquelas de 290ml, clássicas. Eu costumava derrubar umas quatro dessas por dia na agência. Era o combustível. Açúcar, gás e aquela sensação de que você consegue terminar o layout antes do cliente ligar berrando. Mas a conta chega. Ah, como ela chega. E quando ela bate na porta, não é o carteiro simpático, é um oficial de justiça com um mandado de despejo para a sua saúde.
A gente cresce ouvindo que o problema é a cárie ou ficar gordo. Besteira. O buraco é muito mais embaixo quando você cruza a linha invisível da meia-idade. A verdade nua sobre beber refrigerantes depois dos 40 é que seu corpo deixa de ser uma máquina de processamento e vira um depósito de lixo tóxico acumulado.
A cilada do esqueleto frágil
Eu lembro do Cláudio, meu ex-chefe de criação. O cara era um gênio, mas vivia com uma latinha na mão. "É diet, Beto, relaxa", ele dizia. Hoje o Cláudio vive à base de remédios para os rins. E esse é o primeiro ponto que ninguém te conta direito: o tal do ácido fosfórico. Eles colocam isso pra dar aquele "gostinho" ácido e conservar o xarope, mas depois dos quarenta, seus ossos começam a perder a briga. O ácido fosfórico literalmente rouba cálcio do seu esqueleto para equilibrar o pH do sangue. Você vira uma peneira ambulante. Eu comecei a sentir isso nos joelhos ano passado, parecia que tinha areia dentro da articulação.
O mito do zero caloria
E não me venha com essa conversa mole de "versão zero". Isso é a maior mentira que a indústria já contou e nós engolimos com gelo e limão. O adoçante artificial engana seu cérebro. Você sente o doce, o pâncreas prepara a insulina, mas o açúcar não vem. O corpo entra em pânico. Resultado? Você fica com uma fome de leão duas horas depois. É um ciclo vicioso maldito. Ninguém te avisa que beber refrigerantes depois dos 40 é basicamente assinar um contrato de aluguel vitalício para aquela gordura visceral dura, aquela que fica por baixo do músculo e aperta seu fígado até ele pedir arrego.
Outra coisa que me deixa possesso é o refluxo. Quando a gente tem 20 anos, o estômago é de ferro. Você come pizza fria, toma refrigerante quente e vai pra balada. Agora? Se eu tomo um copo dessa porcaria gaseificada depois das seis da tarde, passo a noite arrotando fogo. O esfíncter esofágico inferior frouxo é o presente de aniversário que ninguém pediu. O gás dilata o estômago, o ácido sobe e queima a garganta. Você acorda com a boca com gosto de moeda velha.
A máscara da exaustão crônica
Tem um detalhe que eu percebi na pele e que os médicos de TV evitam falar pra não assustar a audiência: a pele cinza. Não é ruga, é cor mesmo. O excesso de açúcar ou sódio (porque se não tem açúcar, tem sódio pra burro) desidrata você de dentro pra fora. A gente vira um maracujá de gaveta. Eu olhei no espelho outro dia e vi um estranho cansado me encarando. Cortei o refrigerante por um mês e a cor voltou. Coincidência? Duvido.
E a resistência à insulina? Você não precisa ser diabético pra sofrer com isso. É aquele cansaço que bate depois do almoço, aquela vontade de morrer de sono. O pico de glicose é um coice de mula, e a queda é um abismo. Depois dos 40, a gente não quica mais no fundo do poço e volta, a gente fica lá estatelado. Meu vizinho, o Tonhão, achava que era depressão. Parou com o refrigerante "preto" e a tal depressão sumiu em duas semanas. Era só o cérebro dele fritando no xarope de milho.
A fatura dos órgãos vitais
Sem falar nos rins. As pedras. Meu Deus, as pedras. Dizem que a dor é pior que parto. Eu nunca pari, mas vi um amigo de 42 anos chorando em posição fetal no chão do banheiro da firma por causa de um cálculo renal. O médico foi taxativo: "Ou o senhor para com o refrigerante ou vai virar sócio do hospital". O oxalato presente nessas bebidas é cimento puro pros rins.
E a tal da demência? Li um estudo obscuro outro dia — que provavelmente foi abafado — ligando o consumo de adoçantes artificiais a um risco maior de Alzheimer. A gente já esquece onde pôs a chave do carro naturalmente, não preciso de um químico acelerando o processo. A confusão mental que sinto quando tomo essas coisas não é normal. Parece que o cérebro fica com "lag", igual internet discada em dia de chuva.
O blefe da felicidade engarrafada
Mas o que mais me irrita é a mentira da felicidade engarrafada. Eles vendem juventude, mas entregam velhice precoce. O hábito de beber refrigerantes depois dos 40 é uma aposta onde a casa sempre ganha. Você perde o sono por causa da cafeína escondida, perde o dinheiro com dentista porque o esmalte dos dentes dissolve (vi isso acontecer com um molar meu, ficou transparente nas pontas, bizarro), e perde a dignidade tentando esconder a barriga que não sai nem com reza brava.
Enfim, o disco do Miles acabou e a agulha tá batendo no centro, fazendo aquele "tec-tec" infinito. Acho que é hora de dormir. Talvez amanhã eu acorde com vontade de tomar uma daquelas garrafinhas de vidro suadas, mas aí vou lembrar do Cláudio e da posição fetal no banheiro. Melhor ficar na água com gás e limão. Ou só água mesmo. A vida já é ácida o suficiente sem a gente precisar engarrafar mais problemas.
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