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Injetora de Plástico Romi EN 220 apresenta falha no aquecimento do cilindro e como isso causa peças fora do padrão?
Aquele silêncio.
No meio do chão de fábrica, o silêncio nunca é bom. É 3 da manhã de uma terça-feira, e "Seu Jorge", o supervisor de turno, sente o estômago gelar antes mesmo de olhar para o painel da máquina. A Romi EN 220, a "guerreira" da produção, parou. O pedido grande para a indústria automobilística, aquele que não pode atrasar, está naquela máquina.
Ele se aproxima e o cheiro é o primeiro indício. Não é o cheiro de plástico queimado, o que já seria ruim. É o cheiro de... nada. Um cheiro frio.
O painel pisca em vermelho: "AL14 - FALHA AQUECIMENTO ZONA 3".
O coração de Jorge afunda. Ele cutuca o painel, como se isso fosse resolver. "De novo, não", ele resmunga. Na última vez, foi só uma resistência queimada. Troca rápida, 40 minutos de parada. Mas algo lhe diz que desta vez o buraco é mais embaixo. As peças da última hora não estavam 100%. Algumas saíam manchadas, outras levemente quebradiças. Uma clara variação na temperatura que ele tentou ajustar "na unha" pelo painel, aumentando dois graus aqui, diminuindo ali.
Ele não sabia, mas aquela variação na temperatura era o sintoma de um problema maior que estava se formando, um problema que poderia levar ao pesadelo de qualquer operador: um travamento da rosca.
Se você, como o Seu Jorge, está vivendo o drama da falha no aquecimento do cilindro da sua injetora, respire fundo. Você não está sozinho. Este não é apenas um guia técnico; é um mapa de sobrevivência para diagnosticar a causa raiz e garantir que sua produção não pare no momento mais crítico.
O Suspeito Óbvio: Quando a "Simples" Falha no Aquecimento do Cilindro Não é Tão Simples
Quando o painel acusa uma falha no aquecimento do cilindro, 90% dos técnicos pensam imediatamente: "A resistência queimou".
Eles não estão errados. Na maioria das vezes, é isso mesmo.
As resistências de cinta (ou "coleiras", como alguns chamam) que envolvem o canhão da injetora são como os pneus de um carro de corrida: trabalham duro, sob estresse extremo, e uma hora vão falhar. Elas vivem um ciclo constante de liga-desliga, aquecendo a centenas de graus. Um pouco de umidade, uma vibração mais forte, ou simplesmente o fim da vida útil, e... puff. Ela se abre.
Mas aqui está o pulo do gato que o Seu Jorge estava sentindo: uma resistência raramente morre de repente. Ela agoniza.
Antes da falha no aquecimento do cilindro ser total, a resistência pode começar a falhar intermitentemente. Ela aquece, mas não com a mesma potência. O CLP (o cérebro da máquina) manda o sinal para ela ligar, mas ela entrega 70% da energia. O resultado? Uma perigosa variação na temperatura naquela zona específica.
O Diagnóstico Rápido da Resistência
Se você suspeita de uma falha no aquecimento do cilindro causada por uma resistência:
Segurança em Primeiro Lugar: Desligue a energia do gabinete de aquecimento. Sempre.
Inspeção Visual: Às vezes, você vê a desgraça. A resistência pode estar estufada, trincada ou com sinais óbvios de curto-circuito (aquela mancha preta de fuligem).
O Multímetro é Seu Amigo: Meça a continuidade (ohm) nos terminais da resistência. Se der "aberto" (OL ou infinito), ela se foi. Meça também a corrente (amperagem) com o alicate amperímetro durante o funcionamento (com cuidado!). Se a corrente estiver muito abaixo do nominal, ela está morrendo.
O problema é que muitos param por aí. Trocam a resistência e voltam a operar. Mas e se o problema não for só a resistência?
O Efeito Dominó: Variação na Temperatura e o Desastre das Peças Fora de Padrão
A variação na temperatura é, talvez, mais destrutiva para a qualidade do que uma parada total. Uma máquina parada não produz peças ruins. Uma máquina instável... ah, essa sim.
O plástico, especialmente os de engenharia (como o PA66 com fibra de vidro que o Seu Jorge estava usando), tem uma "janela de processo" muito estreita. É como fazer um suflê. Dois graus a menos, e ele não cresce (peça incompleta, ou "short shot"). Cinco graus a mais, e ele queima (peça degradada, manchada, quebradiça).
Quando uma resistência começa a falhar, ela cria um ponto frio no cilindro. O plástico que passa por ali não derrete corretamente. O CLP tenta compensar, mandando as outras resistências trabalharem mais. O resultado é um caos térmico.
Essa variação na temperatura constante, mesmo que pequena no painel, significa que o material que chega ao molde nunca é o mesmo.
Peças "Rechupadas": A temperatura de fusão está baixa, o plástico fica mais viscoso e não preenche os cantos do molde.
Manchas e "Raios": Sinal de degradação. Partes do material superaqueceram para compensar as partes frias.
Quebra e Fragilidade: O material não se homogeneizou. As cadeias poliméricas não se formaram corretamente. A peça quebra só de olhar.
Seu Jorge estava vendo tudo isso. Ele estava, sem saber, lutando contra uma variação na temperatura causada por uma falha no aquecimento do cilindro que estava apenas começando.
O Mentiroso da História: O Termopar
E se a resistência estiver boa, mas a máquina ainda acusa falha no aquecimento do cilindro?
Bem-vindo ao mundo do Termopar.
O termopar é o termômetro. É um sensor minúsculo que diz ao CLP: "Ei, aqui na Zona 3 estamos a 240°C". O CLP confia nele cegamente.
Agora, imagine que o termopar está mal posicionado. Ou está com o fio rompido. Ou simplesmente velho.
Se ele "abrir" (romper): O CLP lê uma temperatura absurda (como -50°C ou 999°C) e desliga tudo por segurança. Isso também é uma falha no aquecimento do cilindro.
Se ele "mentir": Este é o pior cenário. O termopar pode estar lendo 240°C, mas a temperatura real é 220°C. O CLP, feliz, não manda a resistência ligar. O material passa frio. Ou o oposto: ele lê 240°C, mas a real é 260°C. O material carboniza.
Uma variação na temperatura quase sempre tem um termopar com "mau contato" ou mal posicionado como cúmplice.
O Pesadelo Final: Travamento da Rosca por Contaminação e Desgaste
Aqui é onde a história do Seu Jorge fica realmente assustadora. Aquela variação na temperatura e a falha no aquecimento do cilindro não são apenas problemas de qualidade; são sintomas de um câncer iminente: o travamento da rosca.
A rosca (ou fuso) é o coração da injetora. Ela tem que fazer três coisas: transportar, comprimir e derreter o plástico.
Se a temperatura está baixa demais (por uma falha no aquecimento do cilindro), o plástico não derrete. Ele vira uma "bucha" dura. A rosca tenta empurrar esse bloco sólido. O motor hidráulico (ou elétrico) faz uma força absurda, os níveis de ruído aumentam... até que... TOC!
O motor estala. O pino de segurança do motor pode quebrar. Na pior das hipóteses, a própria rosca pode empenar ou quebrar. Isso não é uma parada de 40 minutos. Isso é uma parada de dias. E dezenas de milhares de reais.
Mas o travamento da rosca também pode ser causado por outro vilão: a contaminação.
Quando a variação na temperatura é para cima (um termopar mentiroso superaquecendo o material), o plástico carboniza. Ele vira uma "borra" preta e dura, que gruda nos filetes da rosca. Isso diminui o espaço para o plástico novo passar.
O resultado é o mesmo: o motor tem que fazer mais força para empurrar menos material. A pressão interna sobe. O atrito aumenta. O desgaste do conjunto (rosca e cilindro) acelera exponencialmente.
Um travamento da rosca por contaminação ou desgaste é uma morte lenta e dolorosa. A máquina começa a "gritar" (aquele chiado agudo do motor forçando), a dosagem fica irregular, e um dia... ela simplesmente não gira mais.
No caso do Seu Jorge, a variação na temperatura estava começando a criar essa "borra". A falha no aquecimento do cilindro foi o aviso final antes do travamento da rosca se tornar catastrófico.
O Guia de Sobrevivência: O Que Fazer Quando a Injetora Apresenta Falha no Aquecimento (O Passo a Passo)
Você está na frente da máquina. O alarme está piscando. Não seja o Seu Jorge desesperado. Seja o Seu Jorge que leu este artigo.
Passo 1: Leia o Alarme (De Verdade!)
O painel diz "Falha Aquecimento Zona 3". Isso é a ponta do iceberg. Entre no histórico de alarmes. Houve outros alarmes antes? "Temperatura Fora da Faixa"? "Falha Leitura Termopar"? O histórico conta a história do crime.
Passo 2: Verifique os "Fusíveis" (O Caminho da Energia)
Siga a energia. A falha no aquecimento do cilindro pode ser algo estúpido.
Abra o painel (com segurança!). O contator (ou Relé de Estado Sólido - SSR) da Zona 3 está sendo acionado? O LED do CLP está mandando o sinal?
Se for contator, ele "bate" (faz o "clique")? Se for SSR, o LED de acionamento acende?
Verifique os fusíveis de potência daquela zona. Um fusível queimado é um sintoma, não a causa.
Passo 3: O Teste de Realidade (Termopar vs. Resistência)
Aqui matamos a charada da variação na temperatura.
Teste do Termopar: Desconecte o termopar da Zona 3 do módulo do CLP. Use um simulador de termopar (se tiver) ou, na gambiarra, "jumpeie" os pinos com um clipe (NÃO FAÇA ISSO, mas sabemos que fazem). Se o alarme sumir (e a temperatura for para o máximo), o termopar estava aberto.
O jeito certo: Pegue um termopar novo, que você sabe que funciona, e ligue no módulo, mas deixe-o no ar. Veja se a temperatura lida é a ambiente. Depois, aqueça-o levemente com um isqueiro (de longe!). Se a temperatura subir no painel, o módulo e o cabo estão bons. O problema era o sensor na máquina.
Teste da Resistência: Com a máquina energizada e o aquecimento ligado, vá (COM CUIDADO) com o alicate amperímetro no fio de saída do contator/SSR da Zona 3. Está mandando corrente?
Sem corrente: O problema é antes (CLP, SSR, fusível).
Corrente baixa: A resistência está morrendo.
Corrente alta (e fusível queimando): Resistência em curto.
Passo 4: Escute a Máquina (O Alerta do Travamento da Rosca)
Enquanto a máquina (esperançosamente) volta a aquecer, coloque-a em modo manual. Tente dosar (girar a rosca).
Escute o motor: Ele está suave ou "cantando", fazendo um barulho sofrido?
Olhe o indicador de pressão: A pressão de dosagem (contra-pressão) está normal ou disparando?
Se o motor parece estar sofrendo, PARE IMEDIATAMENTE. Você pode ter um travamento da rosca por material frio ou contaminação. Não force. Aumente a temperatura 10°C acima do normal, espere 20 minutos e tente de novo, com cuidado. Se não girar, é hora de parar tudo e pensar em puxar a rosca.
Passo 5: A Solução de Longo Prazo
A falha no aquecimento do cilindro foi resolvida. Mas o problema da variação na temperatura e o risco de travamento da rosca ainda existem.
Calibre os Termopares: Uma vez a cada 6 meses. Use um termômetro de contato padrão e compare com o que o painel diz.
Limpeza Preventiva: Se você usa material com fibra ou muito pigmento, programe uma limpeza de rosca (com material de purga) a cada troca de molde.
Meça o Desgaste: A cada ano, puxe a rosca e meça o diâmetro dela e do cilindro. O desgaste é inevitável, mas saber quando ele está crítico previne paradas catastróficas.
FAQ: Respostas Rápidas para a Dor de Cabeça da Injetora
Aqui estão as perguntas que ouvimos todos os dias, respondidas de forma direta para te ajudar.
1. Qual é a causa mais comum de uma falha no aquecimento do cilindro na injetora?
A causa mais comum para uma falha no aquecimento do cilindro é uma resistência de cinta queimada (aberta) ou um mau contato no seu terminal elétrico. A vibração da máquina e os ciclos de aquecimento constantes causam desgaste, levando à falha.
2. Como uma falha no aquecimento do cilindro afeta a qualidade das peças?
Uma falha no aquecimento do cilindro, mesmo que parcial, causa uma variação na temperatura do material fundido. Isso resulta em peças fora de padrão, como peças incompletas (falta de preenchimento), manchas, pontos pretos (material degradado) ou peças quebradiças (má homogeneização).
3. Uma falha no aquecimento do cilindro pode causar um travamento da rosca?
Sim, definitivamente. Uma falha no aquecimento do cilindro leva a zonas frias no canhão. Se o plástico não derreter corretamente, ele forma um "tampão" sólido. Quando a rosca tenta girar ou avançar, ela não consegue empurrar esse material, causando um travamento da rosca por sobrecarga mecânica.
4. Como posso diagnosticar rapidamente uma falha no aquecimento do cilindro?
Para diagnosticar uma falha no aquecimento do cilindro, primeiro verifique o painel de alarmes. Depois, com segurança, use um alicate amperímetro para medir a corrente nos cabos da resistência da zona que falhou. Se não houver corrente, verifique o contator/SSR e o fusível. Se houver corrente, mas o alarme persistir, seu problema pode ser o termopar (sensor de temperatura).
5. Qual a diferença entre uma falha no aquecimento do cilindro por resistência e por termopar?
Uma falha no aquecimento do cilindro por resistência significa que o componente que gera calor falhou (não há aquecimento). A falha por termopar é um problema no sensor. O aquecimento pode estar funcionando, mas a máquina não sabe, pois o termopar está enviando uma leitura incorreta (ou nenhuma leitura), fazendo o CLP desligar o sistema por segurança.
6. Com que frequência devo inspecionar o sistema para evitar uma falha no aquecimento do cilindro?
Para evitar uma falha no aquecimento do cilindro, a inspeção deve ser parte da manutenção preventiva. Recomenda-se uma inspeção termográfica (com câmera de calor) mensal para identificar pontos quentes ou frios. Uma inspeção física, verificando o aperto dos terminais e medindo as resistências, deve ser feita semestralmente.
A Lição do Seu Jorge
No fim da noite, o problema do Seu Jorge era um combo: uma resistência da Zona 3 realmente queimada e um termopar da Zona 2 que estava solto, causando a variação na temperatura que sujou o início da rosca.
Ele trocou a resistência, apertou o termopar e rodou 30 minutos de material de purga para limpar o início de contaminação. A máquina voltou. Mas o susto do travamento da rosca ficou.
Sua injetora não é sua inimiga. Ela é uma atleta de alta performance que te avisa quando algo está errado. A falha no aquecimento do cilindro não é o problema; é o sintoma. Ouvir a máquina, entender a conexão entre temperatura, processo e mecânica, é o que separa o operador que apaga incêndios do gestor que evita que eles comecem.
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