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Soluções sobre trabalhar vendendo na rua e vender mais que vão redefinir o seu conceito de sucesso.
Meu nome é Marcos Viana. Criei este espaço no final de 2008 num notebook Celeron que esquenta nas minhas pernas até hoje e tem três teclas falhando. Abandonei o curso de História no terceiro período porque os livros cheios de poeira não me ensinavam como ler o rosto de um sujeito cansado na fila do ônibus da linha 303. O asfalto e a fuligem do centro da cidade me deram a minha formação. Tem gente engravatada que fala de vendas como se fosse uma mágica de palco, mas trabalhar vendendo na rua e vender mais exige apenas estômago vazio, olho no olho e zero vergonha na cara. Eu vendo fones de ouvido, carregadores que prometem carga rápida e, quando o céu escurece, guarda-chuvas de dez reais. Não tem tapete vermelho. Tem calo no calcanhar e voz grossa.
O cheiro da pressa e a tática da moeda amassada
O pessoal de crachá que sai dos prédios comerciais passa por nós achando que estamos mendigando. Essa é a primeira burrice financeira deles. O cliente na calçada não compra por pena, ele entrega o dinheiro por puro impulso ou por uma urgência que rasga a alma. Há um mês, um sujeito de terno tentou desviar o olhar para o celular quando eu estendi um cabo de energia. Eu parei na frente dele e soltei: "Sua bateria zera antes de você abrir a porta de casa, chefe". Ele travou o passo. O pavor de ficar incomunicável no trânsito venceu a soberba. O vendedor de semáforo domina a arte da necessidade imediata. Se você quer o dinheiro que está no bolso de alguém, esfregue na cara dele o problema que ele tentava esconder.
E anote uma regra que eu aprendi engolindo poeira: nunca devolva troco limpo. Notas amassadas e moedas gastas mostram movimento, mostram que dezenas de outras pessoas já compraram de você hoje. O cérebro do comprador segue o bando.
Como engolir o quarteirão sem levantar a voz
Os novatos pisam na calçada gritando os preços a plenos pulmões. Isso espanta a clientela que já anda pelas ruas com a mão no bolso segurando a carteira com medo de assalto. O passo a passo real do comércio no cimento é silencioso e bruto. Primeiro, você marca o seu território numa quina de muro onde o vento e a chuva não batem de frente. Segundo, você organiza os seus produtos exatamente na altura da linha da cintura das pessoas, porque absolutamente ninguém olha para o chão a menos que chute uma pedra. Terceiro... a abordagem. Você precisa usar o tom exato de uma conversa íntima. Ontem mesmo eu tava dizendo pra um moleque novo da barraca do lado, o Ricardo, que a rua ensina quem presta, sabe, a rua cobra. A rua cobra quem não presta atenção no silêncio do cliente. Você coloca o produto na mão do sujeito antes mesmo dele perguntar quanto custa. O peso físico do plástico faz o homem assumir a posse do objeto. Tirar da mão dele depois disso vira uma perda, e ninguém gosta de perder nada.
O teatro do sorriso eterno e outras mentiras de escritório
Existem milhares de livros de capa brilhante que mandam o sujeito sorrir o tempo todo para o cliente. É mentira. Sorrir sem parar no meio do barulho dos carros debaixo de trinta e dois graus de sol parece loucura ou ironia barata. A verdadeira tática para trabalhar vendendo na rua e vender mais mora na expressão de seriedade pesada misturada com a certeza de quem tem a solução do mundo nas mãos. Quando eu estendo um pacote de amendoim torrado, eu faço isso com o rosto de quem entrega a única refeição quente num deserto. É um favor que estou fazendo ao paladar dele. Eu carrego a cura para o tédio da viagem de duas horas que ele vai enfrentar de pé no ônibus lotado. Essa postura de autoridade crua muda o jogo na hora de contar as notas amassadas à noite. Se você sorri pedindo licença para existir, você já perdeu a venda e o respeito do pedestre.
Quinta-feira passada o céu desabou no meio da tarde. Meus fones foram para debaixo da lona preta em três segundos e eu puxei as capas de chuva de plástico. O preço dobrou na primeira poça d'água que se formou no bueiro. O desespero do homem de sapato caro me rendeu o triplo do dinheiro que eu faria numa semana inteira de sol rachando.
O asfalto não aceita devoluções nem choro
Bater ponto em loja fechada com ar condicionado gélido adoece o sangue do vendedor. A parede branca te prende, o supervisor respira no seu pescoço controlando suas idas ao banheiro e o salário cai na conta bancária como uma mesada contada em centavos. A rua, pelo contrário, te entrega o dinheiro vivo, manchado e com cheiro de ônibus, direto nos seus dedos. Entender a malícia de trabalhar vendendo na rua e vender mais te arranca dessa prisão de crachá e de almoço com cronômetro. Você é o dono do seu suor.
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