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Desvantagens sobre a profissão de dentista que vão explodir sua mente
Meu nome é Alberto Cavalcanti. Talvez você lembre do meu layout de fundo preto e letras em verde limão aqui no Blogger, lá atrás, quando eu costumava postar tarde da noite com os dedos rasgados por lavar instrumental. Hoje, pago o preço de ter passado doze anos curvado sobre bocas alheias. Fechei meu consultório de portas de vidro fumê no mês passado. O motivo? Minhas costas viraram um mapa de dores crônicas. Quero contar a verdade sobre a profissão de dentista. Aquele glamour dos comerciais de creme dental não existe quando a poeira da resina acrílica gruda na sua pele.
O cheiro de química e a coluna em pó
Você acha bonito vestir branco todos os dias. O problema da roupa branca é que ela revela cada gota de respingo cirúrgico. Toda manhã, a rotina esmaga os ossos. Passo um: você liga a autoclave e torce para a borracha de vedação não estourar. Passo dois: organiza as bandejas metálicas ouvindo o barulho do compressor, que vai zumbir no seu ouvido até o fim da tarde. Passo três: tenta sorrir enquanto o paciente reclama do preço de um curativo. Trabalhar olhando para um espaço escuro e minúsculo exige um esforço físico brutal. Se a postura ficar errada, a hérnia de disco bate na porta antes dos trinta anos. Eu sinto choques na perna esquerda só de lembrar do mocho duro de rodinhas que eu sentava.
O calote no banco de couro
As pessoas adoram gastar dinheiro com roupas, jantares fora, mas sentem raiva de pagar por saúde. Uma vez, um sujeito chegou de carro de luxo na minha sala de espera. Fiz uma cirurgia demorada para tirar um siso deitado dele, um osso duro de cortar, o sangue sujando minhas luvas. Na hora de acertar o valor na recepção, ele me olhou com desprezo e pediu desconto, chorando miséria. Essa é a realidade diária. O sujeito senta ali, abre a boca e exige milagres com materiais caríssimos. E o pior: as pessoas cancelam a consulta cinco minutos antes do horário marcado. Você fica lá, olhando para a parede, pagando o aluguel da sala e a conta de luz sem receber um centavo pelo tempo perdido.
A solidão por trás do filtro de ar
Trabalhar sozinho o dia todo altera sua mente. Diferente de uma empresa cheia de pessoas conversando no corredor, na odontologia você fala com pessoas que não podem responder. Elas estão com a língua presa por sugadores de saliva, rolos de algodão e bloqueadores de mordida. A comunicação se resume a comandos secos: "abre, fecha, vira". Com o tempo, essa falta de interação falada deixa você deprimido. Tinha dias que a minha única conversa adulta, sem o o som estridente da alta rotação de fundo, era com a moça da padaria da rua de trás. É um isolamento esquisito. Você passa horas a centímetros do nariz de outra pessoa, mas raramente tem uma troca humana real.
A matemática cruel da prateleira
Quero desenhar a conta amarga de manter um espaço clínico. A faculdade te ensina a fechar um buraco na cárie, mas ignora o carnê da loja de equipamentos. Um pote minúsculo de um bom adesivo ácido custa o preço da compra do mês do supermercado de muitas famílias. Quando o refletor dá defeito, o técnico cobra um absurdo apenas para abrir a carcaça de metal. Se a mangueira fura, a dor de cabeça é inteira sua. Sobreviver na profissão de dentista exige que o profissional seja contador, encanador, comprador e cobrador. Tudo na mesma terça-feira à tarde.
O peso de chumbo do erro
Um milímetro de desvio da broca de diamante e você acerta a câmara pulpar do dente. O paciente dá um salto de dor e o procedimento vira um pesadelo judicial. A responsabilidade técnica queima os ombros de um jeito sufocante. Lembro do seu Roberto, um professor aposentado que perdeu um incisivo e confiava nas minhas mãos para arrumar o sorriso. A tensão nos meus dedos durante o preparo daquela coroa de porcelana quase me rendeu uma tendinite. A gente não dorme direito quando um canal teima em sangrar e o caso não sai como esperado. A sensação de culpa corrói o estômago. Ninguém menciona esse terror na festa de formatura, enquanto bebem espumante barato e abraçam a família.
O mercado cobra um pedágio altíssimo dos sonhadores de jaleco. A profissão de dentista não tem piedade dos fracos e mói suas ilusões antes do primeiro paciente reclamar do gosto da anestesia.
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