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Destaques

20 Erros ao Fazer a prova do Enem e o Árduo Processo

Desde que abandonei as salas de cursinho pré-vestibular há alguns anos, morando neste apartamento úmido e barulhento no centro de São Paulo, vejo a mesma cena se repetir todo mês de novembro. Os jornais debatem a qualidade da educação no Brasil, mas ignoram o que acontece no chão de cimento das escolas estaduais. Existe uma lista não escrita de 20 falhas institucionais graves cometidas contra os adolescentes nessa época do ano. Digo isso porque fazer a prova do Enem nunca foi um teste de conhecimento puro, mas um experimento de resistência humana. A cobrança cai nos ombros de jovens de dezessete anos que muitas vezes mal sabem fritar um ovo, mas precisam decidir o rumo da vida adulta em dois domingos ensolarados. O Suor Frio no Portão de Ferro Trabalhei como fiscal de corredor por três anos seguidos logo após sair da docência. Vi de perto a coreografia do desespero e posso atestar que a ruína de um estudante começa muito antes de ele ler a primeira questão de matemática. O passo a pas...

A Crise de 2028 é Real ou Pânico Injustificado? E Onde Investir se a IA Dominar o Mercado?

Estamos vivendo dias estranhos. Desde que enterrei meu pai em janeiro de 2026, tenho pensado muito sobre o que deixaremos para quem fica. A casa está mais silenciosa, e essa quietude me faz ler mais, pensar mais. Sou economista por formação e teimosia, e ontem, enquanto observava meu filho mais velho organizar seus carrinhos por cor — ele é autista e tem uma precisão que me dá inveja —, me deparei com uma discussão que tirou meu sono. Estão falando sobre um documento hipotético, uma projeção assustadora sobre o futuro muito próximo.

O fantasma da máquina e o bolso vazio

Imagine que acordamos daqui a dois anos e o mundo virou de ponta-cabeça. O tal relatório de 2028 pinta um quadro onde a inteligência artificial não veio para ajudar, mas para substituir. E não estou falando daquela substituição suave que vimos na Revolução Industrial. A previsão aqui é de terra arrasada.

O documento sugere uma taxa de desemprego batendo na casa dos 10,2%. Para quem, como eu, morou nos Estados Unidos em 2009, logo depois da crise do subprime, esse número causa arrepios. Eu vi de perto o que o desespero faz com as famílias. A lógica desse cenário pessimista é uma espiral negativa clássica: as máquinas assumem o trabalho, as demissões explodem, a renda das famílias despenca e, consequentemente, o consumo morre.

Sem consumo, as empresas vendem menos. Se vendem menos, demitem mais. É um ciclo vicioso. O mercado financeiro, que vive de humor e expectativas, reagiria mal. Fala-se em quedas bruscas nas ações de gigantes que hoje parecem intocáveis. Imaginem a IBM ou empresas de serviço como a DoorDash vendo seu valor derreter porque o modelo de trabalho humano que as sustenta foi declarado obsoleto. Os investidores ficariam como baratas tontas, sem saber onde colocar o dinheiro num mundo onde o trabalho perdeu o valor.

A conta que não fecha para o governo

O problema não para na porta das empresas. Tem o lado fiscal, aquele que a gente sente no bolso e na qualidade da calçada da rua. Se as pessoas não trabalham, elas não pagam imposto de renda. Se não consomem, não pagam impostos sobre produtos. A arrecadação do governo cairia num abismo.

Ao mesmo tempo, com uma multidão de desempregados, a demanda por assistência social explodiria. O Estado precisaria de muito mais dinheiro justamente quando está arrecadando menos. É a receita perfeita para um colapso sistêmico. Fico olhando para minha esposa, estamos casados há 20 anos e passamos por tanta coisa, e penso: como sustentaríamos a casa se o sistema quebrasse dessa forma?

A falácia do bolo fixo e o medo de mudar

Mas, calma. Respirei fundo, tomei um café e deixei o economista dentro de mim falar mais alto que o pai preocupado. Existe um erro fundamental nessa visão apocalíptica. O apresentador que analisou esse cenário tocou no ponto certo: o relatório assume uma visão de soma zero. É aquela velha ideia torta de que a economia é um bolo de tamanho fixo; se a máquina pega uma fatia, sobra menos para mim.

Isso não é verdade. A história nos mostra outra coisa.

Lembram do conceito de destruição criativa? Aquela ideia de Schumpeter que estudei na faculdade e que vi acontecer na prática tantas vezes? A tecnologia elimina funções, sim, mas ela cria novos setores inteiros. Não é um jogo de perde-ganha, é um jogo de transformação.

Outra análise, vinda de um contraponto otimista também datado para o mesmo ano, mostra o outro lado da moeda. O relatório de 2028 poderia muito bem ser lido como o início de um boom de produtividade. Se a IA faz o trabalho pesado, o custo dos serviços cai. Coisas que hoje são caras e demoradas ficariam baratas e rápidas. Isso é deflacionário.

Se eu gasto menos com serviços básicos, sobra dinheiro no meu orçamento. Esse dinheiro excedente vai para onde? Para novos desejos, novas necessidades. O ser humano é uma máquina infinita de querer coisas.

O futuro não é uma linha reta para o abismo

Acredito que a humanidade vai sair dessa mais rica. Não digo rica apenas de dinheiro, mas de possibilidades. O trabalho humano vai mudar, claro. Talvez deixemos de ser processadores de dados para sermos curadores de empatia, criadores de experiências. Meu filho, com a forma única dele ver o mundo, talvez encontre um lugar que hoje nem existe.

Não compro essa ideia de depressão econômica permanente. Aos 46 anos, já vi o fim do mundo ser anunciado pelo menos umas cinco vezes. O bug do milênio, a crise de 2008, pandemias... e aqui estamos. O mercado se ajusta. As empresas como IBM e DoorDash vão mudar ou morrer para dar lugar a outras.

Acreditar que seremos descartados é subestimar nossa capacidade de adaptação. O relatório de 2028 pode até assustar quem olha apenas a fotografia estática do presente, mas o filme da economia é dinâmico. Vamos passar por turbulências? Sem dúvida. Mas no fim das contas, a tecnologia serve para liberar o humano, não para eliminá-lo. E se tem uma coisa que aprendi nesses anos todos, entre fraldas, crises bancárias e lutos, é que a gente sempre dá um jeito.

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