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A Crise de 2028 é Real ou Pânico Injustificado? E Onde Investir se a IA Dominar o Mercado?
Estamos vivendo dias estranhos. Desde que enterrei meu pai em janeiro de 2026, tenho pensado muito sobre o que deixaremos para quem fica. A casa está mais silenciosa, e essa quietude me faz ler mais, pensar mais. Sou economista por formação e teimosia, e ontem, enquanto observava meu filho mais velho organizar seus carrinhos por cor — ele é autista e tem uma precisão que me dá inveja —, me deparei com uma discussão que tirou meu sono. Estão falando sobre um documento hipotético, uma projeção assustadora sobre o futuro muito próximo.
O fantasma da máquina e o bolso vazio
Imagine que acordamos daqui a dois anos e o mundo virou de ponta-cabeça. O tal relatório de 2028 pinta um quadro onde a inteligência artificial não veio para ajudar, mas para substituir. E não estou falando daquela substituição suave que vimos na Revolução Industrial. A previsão aqui é de terra arrasada.
O documento sugere uma taxa de desemprego batendo na casa dos 10,2%. Para quem, como eu, morou nos Estados Unidos em 2009, logo depois da crise do subprime, esse número causa arrepios. Eu vi de perto o que o desespero faz com as famílias. A lógica desse cenário pessimista é uma espiral negativa clássica: as máquinas assumem o trabalho, as demissões explodem, a renda das famílias despenca e, consequentemente, o consumo morre.
Sem consumo, as empresas vendem menos. Se vendem menos, demitem mais. É um ciclo vicioso. O mercado financeiro, que vive de humor e expectativas, reagiria mal. Fala-se em quedas bruscas nas ações de gigantes que hoje parecem intocáveis. Imaginem a IBM ou empresas de serviço como a DoorDash vendo seu valor derreter porque o modelo de trabalho humano que as sustenta foi declarado obsoleto. Os investidores ficariam como baratas tontas, sem saber onde colocar o dinheiro num mundo onde o trabalho perdeu o valor.
A conta que não fecha para o governo
O problema não para na porta das empresas. Tem o lado fiscal, aquele que a gente sente no bolso e na qualidade da calçada da rua. Se as pessoas não trabalham, elas não pagam imposto de renda. Se não consomem, não pagam impostos sobre produtos. A arrecadação do governo cairia num abismo.
Ao mesmo tempo, com uma multidão de desempregados, a demanda por assistência social explodiria. O Estado precisaria de muito mais dinheiro justamente quando está arrecadando menos. É a receita perfeita para um colapso sistêmico. Fico olhando para minha esposa, estamos casados há 20 anos e passamos por tanta coisa, e penso: como sustentaríamos a casa se o sistema quebrasse dessa forma?
A falácia do bolo fixo e o medo de mudar
Mas, calma. Respirei fundo, tomei um café e deixei o economista dentro de mim falar mais alto que o pai preocupado. Existe um erro fundamental nessa visão apocalíptica. O apresentador que analisou esse cenário tocou no ponto certo: o relatório assume uma visão de soma zero. É aquela velha ideia torta de que a economia é um bolo de tamanho fixo; se a máquina pega uma fatia, sobra menos para mim.
Isso não é verdade. A história nos mostra outra coisa.
Lembram do conceito de destruição criativa? Aquela ideia de Schumpeter que estudei na faculdade e que vi acontecer na prática tantas vezes? A tecnologia elimina funções, sim, mas ela cria novos setores inteiros. Não é um jogo de perde-ganha, é um jogo de transformação.
Outra análise, vinda de um contraponto otimista também datado para o mesmo ano, mostra o outro lado da moeda. O relatório de 2028 poderia muito bem ser lido como o início de um boom de produtividade. Se a IA faz o trabalho pesado, o custo dos serviços cai. Coisas que hoje são caras e demoradas ficariam baratas e rápidas. Isso é deflacionário.
Se eu gasto menos com serviços básicos, sobra dinheiro no meu orçamento. Esse dinheiro excedente vai para onde? Para novos desejos, novas necessidades. O ser humano é uma máquina infinita de querer coisas.
O futuro não é uma linha reta para o abismo
Acredito que a humanidade vai sair dessa mais rica. Não digo rica apenas de dinheiro, mas de possibilidades. O trabalho humano vai mudar, claro. Talvez deixemos de ser processadores de dados para sermos curadores de empatia, criadores de experiências. Meu filho, com a forma única dele ver o mundo, talvez encontre um lugar que hoje nem existe.
Não compro essa ideia de depressão econômica permanente. Aos 46 anos, já vi o fim do mundo ser anunciado pelo menos umas cinco vezes. O bug do milênio, a crise de 2008, pandemias... e aqui estamos. O mercado se ajusta. As empresas como IBM e DoorDash vão mudar ou morrer para dar lugar a outras.
Acreditar que seremos descartados é subestimar nossa capacidade de adaptação. O relatório de 2028 pode até assustar quem olha apenas a fotografia estática do presente, mas o filme da economia é dinâmico. Vamos passar por turbulências? Sem dúvida. Mas no fim das contas, a tecnologia serve para liberar o humano, não para eliminá-lo. E se tem uma coisa que aprendi nesses anos todos, entre fraldas, crises bancárias e lutos, é que a gente sempre dá um jeito.
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