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Como a Doutrina da Salada Crua Engana Seu Estômago
Olá, quem acompanha as minhas postagens sabe que sou o Nero Luiz. Escrevo aqui desde uma época em que a internet servia para lermos relatos reais de pessoas reais, sem as amarras das tendências da moda que engessam a tela hoje em dia. Faz exatos 2 anos e 3 meses que me separei da minha esposa. Minha rotina mudou por completo e, hoje, passo boa parte do meu tempo livre montando roteiros para viajar com a minha atual namorada. Isso me trouxe uma visão de mundo muito mais pé no chão. Além disso, tenho um filho pequeno com a minha antiga companheira, e a guarda compartilhada me obriga a frequentar ambientes que eu normalmente evitaria. Nessas idas e vindas da vida adulta, passei a observar um comportamento doentio nas pessoas, especialmente no que diz respeito ao prato de comida que colocam na mesa.
O foco da minha indignação atual é a verdadeira lavagem cerebral da nutrição moderna. A sociedade nos obriga a engolir regras alimentares que beiram o delírio coletivo. Eu, por exemplo, não como frutas. Nenhuma. Detesto a textura, não suporto o gosto aguado e me recuso a forçar algo goela abaixo só porque dizem que faz bem. Em contrapartida, sou capaz de devorar uma pizza inteira de calabresa com cebola sem a menor sombra de culpa. E é sobre essa hipocrisia que precisamos conversar: a cobrança pesada por uma alimentação regrada que destrói o humor de metade da população.
O castigo do prato verde e o gosto das viagens
Existe uma pressão social violenta para que todo mundo mastigue folhas amargas e grãos sem tempero. Quando acompanho meu filho nas festinhas de colégio, vejo os pais suando frio para cortar maçãs em formato de bichinhos, tentando desesperadamente fazer as crianças comerem aquilo. É um teatro deprimente. A verdade é que o prazer alimentar define a nossa qualidade de vida. Mês passado, quando minha namorada e eu viajamos para as serras de Minas Gerais, nosso roteiro não incluía buscar restaurantes de comida crua. Fomos atrás de queijo derretido nas bordas, de massas fartas e de comida de verdade. A obsessão por manter uma ficha médica perfeita está criando uma geração de pessoas amarguradas.
A internet piorou esse cenário a níveis alarmantes. Nas redes sociais, quase todo mundo finge ter uma alimentação regrada, publicando fotos de potes com aveia e um monte de sementes cinzentas. Mas eu conheço os bastidores dessa gente. Encontro esses mesmos defensores fervorosos das dietas restritivas nas lanchonetes de madrugada, pedindo porções duplas de batata frita. O problema não mora na batata frita, e sim na mentira de esconder o que realmente traz satisfação para manter as aparências. Não vou adotar essa postura covarde aqui. Eu funciono à base de carboidratos, o molho de tomate extra na pizza de domingo é o meu combustível, e o meu colesterol continua dentro da faixa.
E digo mais sobre essa cobrança toda... a cobrança que a gente sofre, digo, quando as pessoas olham de rabo de olho para o meu prato nos restaurantes, os olhares de desaprovação são óbvios. Eles olham, avaliam a ausência de folhas. Deixem olhar. A conta sai do meu bolso.
Um roteiro prático para parar de passar vontade
Se você quer parar de viver com fome e com culpa, siga um passo a passo direto para quebrar essa doutrina. Primeiro, olhe para a sua refeição e pergunte a si mesmo se você realmente deseja engolir aquilo ou se está comendo para tirar uma foto. Segundo, corte da sua vida as pessoas que fazem comentários passivo-agressivos sobre o seu peso ou sobre os ingredientes do seu lanche. Terceiro, assuma suas próprias vontades na frente dos outros. Se você tem vontade de comer um pedaço de bolo de chocolate no café da manhã de quarta-feira, sirva-se e coma. O corpo humano aguenta muito mais do que a paranoia atual prega.
É óbvio que não sugiro que ninguém beba óleo de fritura puro. O meu viés aqui, a opinião que carrego desde a primeira linha deste texto, é que o terrorismo do bem-estar perdeu o sentido. Apenas pare de seguir manuais criados por pessoas que sentem raiva de quem come sobremesa.
A minha rotina de viagens longas, o planejamento para cuidar do meu filho com minha ex-esposa, os momentos de lazer com a minha namorada... tudo isso cobra muita energia do meu cérebro. Eu me recuso a gastar a minha bateria mental contando calorias. Não vou desperdiçar as minhas tardes buscando manter uma alimentação regrada apenas para arrancar aplausos de nutricionistas da internet. Eu prefiro o sabor real de uma fatia de mussarela recém-saída do forno a qualquer promessa vazia de juventude eterna.
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